Falar em globalização hoje parece “chover no molhado”, mas surpreendeu-me um artigo acerca das dificuldades que as empresas encontram na hora de promover um produto para o mercado global. Ou seja, como criar um nome, uma marca e uma propaganda que seja viável e aceita por todos os perfis culturais de consumidores espalhados pelo mundo?
É certo que equívocos acontecerão: a Nike, uma das marcas mais globalizadas da atualidade, teve seu recente comercial de TV acusado de blasfêmia e proibido pelo governo chinês. O vídeo mostrava o jogador americano de basquete LeBron James vencendo um duelo com lutadores de kung fu e um par de dragões.
Para Elliot Polak*, presidente da consultoria TextAppeal, "num país ocidental, um famoso derrotando aquilo que é antigo seria popular entre os jovens. Mas a Nike não estava preparada para o peso das tradições na China”. E eu me pergunto, onde estava o profissional de RP?
São comuns os exemplos da superficialidade com que as empresas tratam temas como comportamento, valores culturais, folkcomunicação e a própria globalização. Curioso é que dificilmente veremos citação sobre o pertinente trabalho das Relações Públicas.
Aprendemos que não podemos mais tratar o mundo como massa globalizada. As pessoas pensam, reagem, têm vontades e necessidades, mas já não são tão ingênuas aos apelos consumistas das peças publicitárias. A imagem e as atitudes da organização contam muito nos critérios de escolha do consumidor.
Aprendemos que não podemos mais tratar o mundo como massa globalizada. As pessoas pensam, reagem, têm vontades e necessidades, mas já não são tão ingênuas aos apelos consumistas das peças publicitárias. A imagem e as atitudes da organização contam muito nos critérios de escolha do consumidor.
O consumo esbarra em imponentes obstáculos como o poder aquisitivo e os valores sócio-culturais. Qualquer empresa que se preze deve estar atenta às peculiaridades dos públicos com os quais está se relacionando. E como elas devem fazer isso, nem preciso responder não é?!
Outro dia ouvi em uma palestra que a Comunicação Integrada é um mito. Mas como é possível negar que a forma mais abrangente e eficaz de lidar com as variáveis do mercado globalizado é unir as técnicas de Comunicação às de Marketing num esforço integrado? O que falta então para que isso seja uma realidade nas organizações?
É indiscutível que esse cenário favorece amplamente aos profissionais da comunicação. Porém, o mercado de trabalho nos exige um comportamento cada vez mais multimídia. Domínio sobre as mais variadas tendências, capacidade de absorção das diversas facetas da comunicação, da gestão, da tecnologia, das culturas e inúmeras outras contemporaneidades. E então, o que é que estamos esperando?
Daniela Francisca da Silva
* No artigo É difícil agradar a todos, Portal Exame em 23/08/2007.